domingo, 18 de setembro de 2016
ela que.
Ela. Que joga o cabelo pro lado e fica tão linda. Que esconde o sorriso, não como quem esconde uma jóia com medo que os outros vejam, mas como o menino que leva um cachorro pra casa e não sabe se pode mostrar para os pais. Que é tão bonita mas que precisa tanto aprender que é. Que beija tão bem e morde tão má. Que sorri tão descontraída e olha tão séria. Que tem um passado tão grande, que parece não caber na idade, e que sabe tanta coisa. Pronta para acudir qualquer aborrecimento, qualquer dedada na quina dos móveis da vida. Que acha que eu tenho alguma paz de espírito e que me lembra toda hora que não tenho memória boa. Ela sabe no fundo quem é e o que quer ser, e pode tirar tudo de letra, letra cursiva caprichada, mas que está no ônibus como todo mundo, onde a escrita não sai como deveria. Ela já quis salvar o mundo e caiu com o peso da Terra nos ombros, mas está salvando o próprio mundo agora, antes de salvar os outros.
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