sexta-feira, 31 de março de 2017

Anestesia, por favor

Um pai mostra fotos de mulheres como se fossem objetos para os colegas no trabalho, mas um dos colegas pergunta se ele gostaria que vissem a filha dele desta forma um dia. Anestesia, por favor.
Um pai conta sobre a coisa mais linda de sua vida, sua filha, e logo depois combina de ir ao puteiro com seus amigos. Ele bebe todo fim de semana. Anestesia, por favor.
Uma vegetariana critica pessoas que comem carne e diminui pessoas de uma religião diferente da sua. Fuma maconha para relaxar quase toda semana. Anestesia por favor.
Uma mulher luta contra o sistema e toda a injustiça social dentro do seu alcance. Raramente se encontra com os amigos fora de um bar. Anestesia, por favor.
Um homem luta contra sua necessidade de sempre parecer uma fortaleza e estar bonito. De ano em ano faz regimes e malha bastante, mas à noite não se segura e come compulsivamente. Anestesia, por favor.
Um homem rebate a carência com mais encontros, e não percebe pela linguagem corporal nem pelo beijo que ela não está afim hoje. Flashes do encontro passam em sua cabeça o tempo todo quando ela fala que se sentiu desrespeitada. Anestesia, por favor.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Escafandro

Um urbano acorda e sai da jaula
Agarra as presas, geladas da geladeira
Vira pro lado e um inimigo o espreita:
é o relógio que indica - são seis e meia!

Sai correndo de cipó em cipó
Ele passa a catraca e o facão do bilhete
"Com lincença" ele grita feito o Tarzan
Corre coitado, já passou das sete

Ninguém em volta é luz na clareira
São lamentações crescendo
São flechas certeiras

No caminho, na rua, na empresa
Tudo para minar a certeza

É um mar denso e escuro
É um grande mergulho

O urbano então veste o escafandro
Malandro, sempre escapando
Da pressão externa, dos perigos do mar
Mas se fica ali por tempo demais
A sua armadura cede e ele pode afogar

Então volta urbano, já pra superfície
Nada pra cima, e toma um ar
Aos poucos você lida
com os perigos lá em baixo
Mas por enquanto aqui
Ainda é seu lugar

segunda-feira, 20 de março de 2017

manhãs frias e ensolaradas.

simplesmente tantas memórias boas ligadas a essas duas coisas, e quando elas voltam é impossível não brotar um sorriso no rosto. mesmo com momentos ruins associados a elas, mesmo lembrando que moradores de rua lutarão com as baixas temperaturas, mesmo com as imagens de noites durando 16h no inverno distante dos trópicos. é preciso que alguém esteja bem no frio para cuidar dos calorentos, assim como eles cuidam da gente no calor. é preciso ter um radiador na casa, feliz por estar ali abraçando a todos na noite fria.

e ah, no frio dá pra se vestir maneiro também.