quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Respiros, Cantadas e Loucura

Eu disse, meu dengo
Aquele dia foi de respirar
Mas onde já se viu
Respiro assim tirar o ar?

Respirar, Transpirar, Pirar
Quê importa qual o 'ar'?
O que importa, sim, é irmos falando
Sem desgrudar o olhar

De uma cantada esdrúxula,
Até um elogio sincero
De couve ou rúcula
Até bolo de cenoura, eu quero

Se for pra falar de melodia suave
Mpb, recita uns versos e deita
Mas se quiser dançar um funk
Eu digo: Eita!

Eu disse, meu dengo
Se quiser sonhar, não é loucura
É Alegria Compartilhada,
Da mais pura

quinta-feira, 14 de junho de 2018

entre o ✓ e o ✓✓

Coisas poucas podem fazer muito, pouco a pouco no dia a dia. Podem ser uns caracteres revelando alguma característica, um verso sobre o Universo, uma risahahada. Soltar as letras como pombas e esperar para ver daqui algumas horas o que elas trazem de volta. Um emoji irônico, uma foto para causar inveja, um perfeccionismo revelando um pouco mais. Falar muito para dizer pouco, e deixar esse bebedor diluindo algumas notas fortes do vinho no meio da água. E deixar a ideia maturando entre o  e o  ✓✓.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

não desista!

Quando se sentir submerso por metros e metros de água e a pressão lhe parecer opressora e irresistível, lembre: opressora sim, irresistível nunca. Não desista, persista. Vão ser dias, semanas, meses, mas às vezes a lição que você precisa aprender não é específica ao problema que você passa. Você só precisa aprender a persistir, não largar mão. Se seu filho ou sua filha estivessem em uma correnteza num rio e você segurando a mão na margem, você soltaria? Seu instinto seria de segurar até não poder mais. Pois faça isso com a própria vida e seus próprios problemas. Se mexa sempre, não estacione. Se alguma ferida doeu, descubra onde e porquê, você não quer ser surpreendido por uma infecção mais tarde, quer? Não desista. Você já sentiu que no fundo, bem no fundo, nos mistérios do Universo, tem algo não deixando tudo despencar? Tem algo interligando tudo, e assegurando que no fim tudo vai passar? Que você vai superar? Essa força é real, e ela sempre vem com a lição: não desista, eu estou logo atrás de você.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Bradar amor

Irmã! Não deixe que o eco do pessimismo suba das cavernas escuras até a superfície e me hipnotize. Me lembre de gritar "amor!" todo dia quando o Sol raiar, não deixe essa chama apagar. O ânimo é um dever, a tristeza consciente é uma falta. Não me deixe cair no chão e soçobrar, não! Me ajuda a levantar, sacudir a poeira e gritar por mais amor. Do coração à mente, da mente à palavra, da palavra à ação. Faça-me do amor um verbo criador. Amor esse que não deixa ninguém de fora. Que luta por todos e todas. Que enxuga lágrimas. Que faz ser melhor cada dia. Que não deixa a tristeza entrar. Que nos faz enxergar quanto vale o bom combate, mas que custa tanto a ser cultivado. O amor vencerá!

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Maya


Aquele que encara Maya
Enfrenta a fúria do mundo
Mas antes que a casa caia
Perceba: é só ilusão

Ego, orgulho, apego à matéria
Maya é perigo, Maya é paixão
Em matéria de destino, é coisa séria
No fio da eternidade, é em vão
E essa cortina, entre o palco e a plateia
Separa tudo que é concreto de tudo que é ideia

Que enfrenta o corajoso enfrentando Maya?
Ingratos profanam o sacrifício, o corajoso sofre ingratidão
Fracos se aliam a outros, o corajoso exprime solidão
Loucos debocham a demora, o corajoso espera são

Mas uma Força Maior
Nos faz romper O Véu
Desfiando cada linha
Refazendo o carretel

Vencer Maya é perder no mundo
Mas ganhar um novo, em outra dimensão

domingo, 25 de fevereiro de 2018

A Âncora e o Farol

Estamos nesse mar revolto, o sal da água corroendo, o Sol forte às vezes, a tempestade brava noutras. Vamos pescar e tem dias de fartura, como tem outros de escassez. Nessas horas penso quem ou o que são nosso faróis e âncoras.

Farol, aquela luz externa te guiando na escuridão da noite. Quando você passou o dia navegando e a noite se fez do breu mais negro que existe. Para não naufragar no rochedo temos aquele Farol, que nem sabemos quem colocou ali, quem faz a manutenção dele, e que esta luz nos está vindo sem cobrar nada, está vindo apenas para que sigamos seguros. O Farol não pode navegar por nós, mas faz tudo dentro de seu alcance para que naveguemos sem afundar.

Âncora, aquele centramento interno, não deixando sermos levados pela correnteza e agitação. Aquele momento em que a embarcação estaciona para o descanso e precisa de chumbador denso para que não seja levada. O mar em êxtase se faz silêncio aos ouvidos do barco ancorado. Este toma o tempo para reavaliar a direção, inclusive levando em conta os faróis do caminho.

E assim segue o barco de nossas vidas, ora se utilizando da Âncora, ora se utilizando do Farol para não sucumbir.