quarta-feira, 22 de março de 2017

Escafandro

Um urbano acorda e sai da jaula
Agarra as presas, geladas da geladeira
Vira pro lado e um inimigo o espreita:
é o relógio que indica - são seis e meia!

Sai correndo de cipó em cipó
Ele passa a catraca e o facão do bilhete
"Com lincença" ele grita feito o Tarzan
Corre coitado, já passou das sete

Ninguém em volta é luz na clareira
São lamentações crescendo
São flechas certeiras

No caminho, na rua, na empresa
Tudo para minar a certeza

É um mar denso e escuro
É um grande mergulho

O urbano então veste o escafandro
Malandro, sempre escapando
Da pressão externa, dos perigos do mar
Mas se fica ali por tempo demais
A sua armadura cede e ele pode afogar

Então volta urbano, já pra superfície
Nada pra cima, e toma um ar
Aos poucos você lida
com os perigos lá em baixo
Mas por enquanto aqui
Ainda é seu lugar

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