Estamos nesse mar revolto, o sal da água corroendo, o Sol forte às vezes, a tempestade brava noutras. Vamos pescar e tem dias de fartura, como tem outros de escassez. Nessas horas penso quem ou o que são nosso faróis e âncoras.
Farol, aquela luz externa te guiando na escuridão da noite. Quando você passou o dia navegando e a noite se fez do breu mais negro que existe. Para não naufragar no rochedo temos aquele Farol, que nem sabemos quem colocou ali, quem faz a manutenção dele, e que esta luz nos está vindo sem cobrar nada, está vindo apenas para que sigamos seguros. O Farol não pode navegar por nós, mas faz tudo dentro de seu alcance para que naveguemos sem afundar.
Âncora, aquele centramento interno, não deixando sermos levados pela correnteza e agitação. Aquele momento em que a embarcação estaciona para o descanso e precisa de chumbador denso para que não seja levada. O mar em êxtase se faz silêncio aos ouvidos do barco ancorado. Este toma o tempo para reavaliar a direção, inclusive levando em conta os faróis do caminho.
E assim segue o barco de nossas vidas, ora se utilizando da Âncora, ora se utilizando do Farol para não sucumbir.
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